PCdoB e PT defendem desenvolvimento sustentável inclusivo
Reunidos na Cúpula dos Povos o PCdoB e o PT divulgaram uma carta conjunta, assinada entre ambas as legendas, relativa à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Promovido pelas fundações Maurício Grabois, do PCdoB, e Perseu Abramo, do PT, a atividade procurou reunir os pontos comuns de movimentos, partidos e governos na luta em defesa do meio ambiente com crescimento e desenvolvimento soberano.
A unidade entre os partidos foi
formalizada no debate “Movimentos Sociais e o Desenvolvimento Inclusivo
com Democracia e Soberania Nacional”, na tenda Milton Santos da Cúpula
dos Povos, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro (RJ), que aconteceu
entre às 18h30 e 21h30 da terça-feira (19). Leia abaixo a íntegra do
documento:
Por um desenvolvimento sustentável inclusivo com democracia e soberania nacional
A Rio+20 foi convocada para discutir e fixar objetivos para a construção
de um novo caminho de desenvolvimento que assegure a melhoria das
condições de vida do povo e preserve o meio ambiente. A Conferência se realiza numa conjuntura de profunda crise econômica
internacional. Uma nova configuração do poder mundial vai se esboçando
com o declínio da hegemonia dos Estados Unidos e a tendência ao
deslocamento do centro geopolítico mundial. O multilateralismo vai se
consolidando com o crescente o papel dos BRICS no cenário internacional.
Governos progressistas se firmam na América Latina. Fissuras surgem no
bloco neoliberal em decorrência da rejeição dos povos à política de
jogar o ônus da crise sobre os trabalhadores. O que se reflete nos
recentes resultados de eleições europeias como as da França e da Grécia.
A ampliação e aprofundamento destas transformações dependem da união dos
povos de todo o mundo em torno da luta anti-imperialista,
antineoliberal e em defesa de um novo modelo de desenvolvimento
inclusivo, democrático e soberano.Dois projetos de desenvolvimento se confrontarão na Rio+20. De um lado o
projeto neoliberal, defendido por países desenvolvidos que executam
ajustes fiscais ortodoxos e políticas de austeridade, como as que vêm
sendo implementadas por governos da Europa. De outro o projeto de desenvolvimento sustentável com crescimento
econômico, distribuição de renda, geração de empregos e fortalecimento
da democracia, no qual o Estado e as políticas sociais possuem papel
fundamental. A exemplo do que vem sendo implementado pelo Brasil e
países da América Latina.
Os povos do mundo constataram que a política de mercado alardeada como o
caminho para solucionar os problemas econômicos e sociais acarretou a
atual crise com graves consequências: recessão econômica, desemprego,
fome para milhões de pessoas e agravamento da crise ambiental com a
mercantilização dos recursos naturais. Os países desenvolvidos não
cumpriram os acordos de redução das emissões de gases de efeito estufa e
nem asseguraram os recursos financeiros e tecnológicos necessários para
que o os países em desenvolvimento pudessem ter melhores condições de
cumprir seu papel em relação às mudanças climáticas. Pelo contrário, ao
imporem o cumprimento da lei de patentes, em nível internacional,
limitaram a capacidade dos países do mundo de desenvolver novas
tecnologias ambientalmente sustentáveis.
Isto demonstra mais uma vez que um modelo de desenvolvimento apoiado no
mercado, tendo o lucro como princípio fundamental, é incapaz de
organizar a vida social em todas as suas dimensões. O fato é que sustentabilidade não rima com capitalismo e, sobretudo, com
o neoliberalismo. Somente com a superação deste modelo os povos do
mundo poderão avançar no sentido de conquistas sociais, econômicas e
ambientais, rumo à construção de uma sociedade justa e igualitária, uma
sociedade socialista.
Todavia, aqueles que insistem na continuidade da política neoliberal,
buscam combater as consequências do neoliberalismo com mais
neoliberalismo sob nova aparência. Neste contexto a economia verde de
mercado aparece como uma tentativa de reanimar suas economias com a
exportação de capitais, tecnologia e produtos “ecologicamente corretos”. Não podemos aceitar que esta política do neoliberalismo ambiental
implique na criação de instrumentos de intervenção internacional, que
atentem contra os projetos de desenvolvimento de cada país. Lutamos pela
criação de instâncias nacionais que assegurem o multilateralismo e
respeitem a soberania e particularidades dos povos e dos Estados
nacionais.
Nossa crítica à economia verde de mercado não significa rejeição a
políticas de estímulo à redução das emissões de gases poluentes e
economia de recursos naturais. Tais medidas são altamente positivas se
incorporadas ao modelo de desenvolvimento sustentável que atenda aos
interesses do povo e do país.
É o que se está buscando na América Latina, onde governos de esquerda e
progressistas trabalham para assegurar, guardadas as peculiaridades
nacionais, o crescimento econômico, a retirada de milhões de pessoas da
linha de miséria, o aprofundamento da democracia e a afirmação da
soberania nacional. Neste modelo o Estado tem papel fundamental. Sabemos, no entanto, que mesmo com estes importantes avanços é possível e
necessário aprofundar as conquistas democráticas e populares.
O Brasil, a partir do governo do presidente Lula e da presidenta Dilma,
recusou a política neoliberal que vinha sendo praticada no país.
Política que estancou o desenvolvimento econômico e agravou as condições
de vida do povo. O desenvolvimento, e não o combate à inflação, passou a
ser o centro da política econômica do governo. A política de
privatizações foi abandonada, as empresas públicas fortalecidas. Com o
crescimento da economia o desemprego crônico do Brasil foi combatido. O
salário dos trabalhadores foi elevado e milhões de brasileiro foram
retirados da linha da miséria. Ampliou-se a democracia e a soberania
nacional afirmada.
Manifestamos apoio às posições que o governo brasileiro expressou no
“Documento de Contribuição Brasileira à Rio+20”. Ali estão colocadas
linhas básicas de um desenvolvimento sustentável segundo os interesses
do nosso povo. Mas é evidente que há muito a avançar. Um outro mundo é possível com a união dos povos. Por isto conclamamos as
diversas forças políticas presentes à Cúpula dos Povos à luta contra o
imperialismo, o neoliberalismo e em defesa de um projeto nacional de
desenvolvimento sustentável inclusivo com democracia e soberania
nacional.
Direção Nacional do PT
Direção Nacional do PCdoB
São Paulo, junho de 2012
Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=186379&id_secao=1

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