Por Andreza Matais de Brasília
A CPI do Cachoeira recuou nesta terça-feira (16) e decidiu prorrogar os trabalhos. A comissão não definiu, porém, por quanto tempo as investigações sobre o esquema do empresário Carlos Cachoeira serão prorrogadas. O prazo pode se estender num período de 1 a 180 dias.
A falta de consenso sobre o novo prazo da CPI foi a justificativa para que os parlamentares decidissem novamente paralisar as reuniões, que só serão retomadas no dia 31 de outubro, quando faltarão apenas três dias para o encerramento da comissão pelo prazo atual.
Com isso, o comando da CPI conseguiu prorrogar a reunião de quarta-feira (17), que iria votar novas quebras de sigilo. O mesmo ocorreu em setembro, quando a CPI foi paralisada --sob o pretexto do período eleitoral-- justamente no momento em que iria votar esses requerimentos.
O período de adiamento da CPI será discutido numa reunião reservada na liderança do PMDB marcada para o próximo dia 30. Os congressistas terão, portanto, apenas quatro dias para recolher as assinaturas necessárias para garantir a prorrogação: 151 na Câmara e 27 no Senado. O prazo é constitucional. Se a CPI não for prorrogada até 4 de novembro, os trabalhos são encerrados sem relatório final.
O presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), admite que o tempo é curto, mas diz que os líderes partidários se comprometeram a reunir as assinaturas. Nesse caso, a CPI divide com o Congresso a responsabilidade por prorrogar ou não a comissão. "Os líderes disseram que, se houver consenso, conseguem as assinaturas", afirmou.
NOVOS REQUERIMENTOS
Os governistas que controlam a CPI defendem que a prorrogação seja por cerca de 30 dias, mas a oposição quer estender os trabalhos por mais 180 dias, o que arrastaria a investigação para o ano que vem.
"Em 30 dias não é possível termos acesso a nenhum sigilo novo", afirmou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR). A CPI tem 509 requerimentos de quebra de sigilo e convocação na pauta.
A Folha apurou que, mesmo com a prorrogação da CPI, não há intenção dos partidos governistas em aprovar novas quebras de sigilo, em especial os que abrangem empresas controladas por um empresário de São Paulo que recebeu milhões da empreiteira Delta.
A oposição insiste na aprovação desse requerimento porque poderia apontar uma nova ramificação do esquema de Cachoeira, até agora concentrado no eixo Goiás-Rio, para São Paulo.
RECUO
A decisão de prorrogar os trabalhos marca um recuo do PT e do PMDB que fizeram um acordo na semana retrasada para enterrar a CPI. Os partidos avaliaram que a revelação do pacto, feita pela Folha, teve repercussão negativa na sociedade e o anúncio em meio ao segundo turno das eleições municipais prejudicaria as candidaturas de seus partidos.
Por essa razão, a próxima reunião dos membros da CPI será somente no dia 30, quando já terá acabado o processo eleitoral. Sem a prorrogação, haveria apenas uma semana para a votação do relatório final, prazo considerado muito curto pelo comando da CPI. Há quem defenda que a CPI seja prorrogada por apenas dez dias para dar tempo da votação do relatório.
Outra razão que motivou o PMDB a mudar sua postura é o comportamento do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que estaria interessado em assumir um ministério no final do ano, quando deixará o governo para abrir espaço ao vice, Sérgio Pezão (PMDB), candidato a reeleição.
A ala que controla o PMDB no Senado está incomodada com o movimento de Cabral, que foi lançado a vice de Dilma pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), cargo ocupado pelo presidente nacional do PMDB, Michel Temer. Cabral era amigo pessoal do dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish, usada no esquema de Carlos Cachoeira, e seu governo firmou vários contratos com a empresa. A oposição tenta convocar Cabral a se explicar.

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