Leia primeiro o currículo da nossa amiga, é de dar inveja: Especialista em Terceiro Setor, Gestora de Cultura, Consultora, Analista de Projetos Sociais, Formada em Comunicação Social, MBA em Marketing Empresarial, Curso de Extensão Universitária em Formação Política e Cidadania: Os Conselhos Municipais como referência (Universidade Federal Fluminense, Cáritas Brasil, FGV) experiência de 20 anos na área de produção cultural (Economia Criativa, Projetos Socioculturais e Leis de Incentivo). Prestadora de Serviço da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro – SEC/RJ, Responsável pela implementação do trabalho técnico social do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Ministério das Cidades no Município Porto Real-RJ, Consultora técnica da ADEMP (Agência de Desenvolvimento do Médio Paraíba), ACIAP-VR (Associação Comercial Agropastoril de Volta Redonda), Consultora Pedagógica do Projeto Rio em Forma Olímpico – SUDERJ/ Rio de Janeiro, Atuação na área de cultura dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo consultora e captadora de recursos de projetos sócio-cultural e esportivo, Como Assessora da Presidência da Fundação CSN e supervisora do Centro Cultural, gerenciou uma equipe de mais de 150 profissionais, desenvolveu dezesseis grandes projetos socioculturais para a empresa com um total de mais de 500 mil beneficiados, além de receber e analisar projetos de todo Brasil para patrocínio da CSN. Em 2008, recebeu o Prêmio Top Social da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, como responsável pelo êxito da Ação Social “Oficinas Comunitárias da Fundação CSN”. Atualmente é Diretora Executiva da MF Consultorias, elabora e agencia projetos para Empresas, Pontos de Cultura e Instituições de todo Brasil, consultora no Instituto Dagaz e representante da Região Sul Fluminense no desenvolvimento e implementação do Plano Estadual de Cultura da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro – SEC.
Lucas - Márcia fala um pouco do movimento cultural na cidade e região.
O movimento Cultural na Região é rico em ações e participação da comunidade. Existe um número muito grande de pessoas que estão envolvidas com o fazer Cultura em nossa região e estamos em uma transição muito grande com as novas Políticas para a Cultura (Sistema Nacional de Cultura). O momento é agora para unirmos nossa região para ganharmos força perante as novas políticas culturais como o Plano Estadual de Cultura e o próprio Ministério da Cultura. Somos uma região importante e impactante para o Estado.
Lucas - O prefeito está reeleito, e agora?
Espera-se com certeza um que tenhamos um canal de comunicação aberto e uma política de cultura descentralizada, democrática, transparente e de visibilidade. Aumentar a oferta de trabalho assim como o fomento as artes. O principal cumprir as exigências do Sistema Nacional de Cultura, construindo uma Política Cultural, como envolvimento dos Fazedores de cultura, assim como toda sociedade civil. Porque a Arte é a maior ferramenta de transformação social e formação de Cidadania é um Direito Constitucional o Acesso a Cultura.
Lucas - A cidade tem produção cultural?
Toda cidade, todo bairro, toda rua tem a sua produção cultural. Até pouco tempo atrás, o que é do entendimento do cidadão comum é de que quem tem cultura é quem estudou em boa escola, fala muitos idiomas e tem acesso à informação. Isso mudou radicalmente nos últimos anos, CULTURA é modo de vida e como nos manifestamos ao vivermos em sociedade. As manifestações artísticas de Volta Redonda como música, dança, artes visuais, literatura, arte de rua, por exemplo, tem excelente qualidade e lutam com bravura por manter essa qualidade e ir além. É importante para o bem estar e a qualidade de vida de seus cidadãos. Cidade que se conhece e se reconhece em suas manifestações é mais sadia e menos violenta, enfim mais humana. O conceito de arte vem tomando proporções interessantes como o uso de tecnologias, redes sociais como importantes ferramentas nas produções culturais. Considero ainda que os espaços não atendem a demanda e a procura dos produtores, gestores, artistas enfim os fazedores de cultura. Falta investimento para que os espaços, hoje existentes sejam equipados com qualidade e com disponibilidade para atender a demanda local, pois o que se cobra inviabiliza as produções locais, desestimulando o fazer e a difusão dos artistas/trabalhos locais.
Ainda penso que estamos longe de termos um espaço moderno equipado como os dos Sistema S (Sesi, Sesc e etc) um bom exemplo a seguir seria a política cultural de fomento, ocupação de espaço, patrimônio imaterial e proteção aos artistas local como a da cidade de Curitiba! É viável sim tudo depende do interesse tanto da iniciativa pública como a privada, temos exemplos de excelentes espaços mantidos pela Vale, EBX, Gerdau, Itau, Votorantin, Banco do Brasil, Volkswagen dentre outros, ressalto que esses megas empresários estão presentes com seus negócios em nossa região...tenho certeza que a hora é agora para que os mesmos invistam de maneira ousada e consciente em nossa região deixando um belo legado social! Lanço um desafio para ver qual prefeito eleito será o pioneiro em trazer para a região o espaço dos sonhos de todos apreciadores das artes, tenho certeza que esse sim ficará na história. Pois o “povo não quer só comida o povo quer comida, diversão e arte”!
Lucas - Fazendo uma análise, qual a visão dos artistas?
Não há muito que ser analisado do ponto de vista do movimento cultural, existe a necessidade da construção de uma nova forma de gestão, mais participativa e compartilhada com os cidadãos, pois nós quanto cidadãos sabemos onde é preciso gastar o dinheiro! Cada um sabe e entende de suas necessidades e prioridades. Ao prefeito é cedida a licença para gerir os recursos de nossos impostos, durante quatro anos, dentro dos limites da legalidade e lealdade para com o povo. Os cidadãos, inclusive, que são convidados a fiscalizar os órgãos públicos, através dos Conselhos representativos. O papel do conselheiro é administrar os recursos junto com a Secretaria de Cultura, eles são os que informam as necessidades e prioridades de cada setor e que acompanham os trabalhos desenvolvidos pela gestão pública. Isso já vem sendo implantado no Brasil todo, não devemos ficar para trás, não é justo, não é legal!
Lucas - A cidade está atrasada no entendimento moderno do que é cultura? Seria isso?
Não no entendimento do movimento cultural e dos artistas, talvez sim da administração pública e da iniciativa privada.
Lucas - E os pontos de cultura?
É um formato bastante interessante de apoio público às ações culturais, as verbas são disponibilizadas de forma direta através de editais específicos com recursos dos Governos Federal, Estadual e de alguns Municípios o que é o sonho de todo e qualquer trabalhador da área de Cultura, a “sobrevivência” de seu movimento, bem como dignidade de viver da arte e do fazer Cultural, esta política de Cultura foi uma forma de proteger, fomentar e divulgar os movimentos de Cultura assim como o patrimônio Cultural material e imaterial.
Lucas - Podemos dizer que apesar do governo municipal, existe criação e demanda?
Sim, muita demanda, e só não existe mais porque na batalha pela sobrevivência, a cidade vem perdendo seus talentos para os grandes centros, o que lastimamos em muito essa perda do capital intelectual. Isso gera inclusive atraso econômico e social, pois as pessoas vão embora à busca de melhores oportunidades ou abrem mão de seus talentos para se dedicar a outra profissão. Reflexo da falta de visão dos Governos em entender e ou admitir que a Cultura bem como os seus bens produzidos geram recursos e alimenta sim uma cadeia produtiva importante na economia de nossas cidades, exemplo: ao comprar um ingresso cinema, teatro, shows e ao adquirir um CD, DV, tela, escultura esse dinheiro “fica” ou “circula’ por aqui, então consumir arte é garantir nossa participação no PIB- Produto Interno Bruto, então querendo ou não querendo fazemos parte sim de um % significativo desse mercado consumidor.
Lucas - Sobre o próximo secretário de cultura, o que tem a dizer?
Que ele com certeza terá muito que fazer e o que construir, principalmente na relação com os artistas! Essa gestão o prefeito teve uma imensa rejeição da classe principalmente no que diz respeito ao seu corpo técnico e gerencial, ouço a dizer que não foi somente na secretaria de cultura não! Espero (amos) que esteja ciente disso e que tenha visão de cultura e de investimento mais voltado a produção local, respeitando desde os cachês quanto o saber lidar com o Ser. Volta Redonda é uma das mais importantes cidades brasileiras, com uma arrecadação de impostos significativa e que tem tudo para se tornar referência em cultura para o Brasil e para o Mundo. É preciso que o próximo secretário esteja disposto a organizar a casa e cumprir a função de Secretário, ao ser interlocutor entre Prefeito, classe e comunidade. O Sistema Nacional de Cultura está em andamento, e Volta Redonda corre grave risco de ficar de fora ou não alcançar as metas estabelecidas pelos Planos Estadual e Federal de Cultura.
Lucas - E o prefeito, será que vai atender vocês?
Isso somente ele poderá dizer, mas tenho certeza que deverá se empenhar ao máximo para alinhar o município as políticas de Cultura que vem desenhando a nova forma de pensar a Cultura Nacional caso contrario quem perde são os cidadãos de nossa cidade. E acho que uma boa responda é o movimento cultural, que esta se unindo para entender e reivindicar os seus Direitos e também destaco ai alguns meios de comunicação que tem se interessado em fazer o seu papel de forma limpa e transparente.
Lucas - Quanto ao fórum cultura, o que v acha? E a conferencia de cultura, é a mesma coisa?
Para quem é leigo, vamos simplificar ao máximo. Para organizar as necessidades e as prioridades do uso dos recursos públicos, o governo promove reuniões onde todos são convidados a participar e colaborar, principalmente quem vive em função dessa área, então, os educadores vão às reuniões da educação, os profissionais de saúde nas reuniões de saúde e assim por diante. Existem dois tipos de reuniões: Conferência e Fórum. A Conferência é o momento em que todos os presentes combinam entre si as ações que devem ser realizadas para organizar o setor, quem vai acompanhar, durante quanto tempo, é o momento em que a gestão pública presta contas à comunidade e assim por diante, tudo é registrado e publicado para que toda comunidade tome conhecimento. Nas Conferências são eleitos os Conselheiros que vão acompanhar e fiscalizar as ações do governo por exemplo.
O Fórum é o momento em que, no caso da Cultura, os artistas e pessoas diretamente ligadas ao fazer cultural, se reúnem para conversar sobre os problemas comuns e propor soluções. Tudo também é registrado e publicado, para que toda comunidade tome conhecimento.
Em Volta Redonda houve somente uma Conferência e nenhum Fórum, o que o movimento Conferência Já pede é que seja realizada uma Conferência Extraordinária, já que as ações da primeira Conferência não foram executadas, inclusive a eleição do Conselho de Cultura, o governo precisa explicar o porquê dessa omissão e prestar contas à comunidade.
Lucas - Quais foram os resultados do primeiro fórum de cultura?
Pelo que sabemos esse I Fórum de cultura não aconteceu nem registro tem, se tivesse ocorrido teríamos que ter na pauta desse “II” Fórum decisões e considerações do “I”, é preciso verificar com a Secretaria Municipal de Cultura o porquê estão realizando uma segunda edição de algo que não teve a primeira.
Muito obrigada mesmo, entrei para lhe dar um abraço e dizer que foi muito generoso para comigo! Saudações
ResponderExcluirFoi um prazer mesmo poder divulgar um pensamento que contribui para melhorar a vida de tantas pessoas. Cultura é transformação, é mobilização, é contestação. Conte sempre comigo!
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