Eu respeito todas as pessoas que tem crenças. E existem mais de dez mil religiões diferentes. Acho que cada um tem o direito de acreditar no que quiser. Tem gente que acredita em Jeová. Outros acreditam em Zeus e seus filhos. Outros ainda, acreditam nos milhares de deuses e semideuses do panteão Hindu. Outros acreditam nas forças da natureza como divindade.
Por Darlan Reis Jr.
A liberdade de consciência é algo muito precioso.
... A crença é livre. E a descrença também. Nunca combati ninguém por sua crença. Agora, outra coisa é eu refutar as crenças. Quando eu refuto uma crença, porque não há evidência nenhuma da existência de divindades, não estou sendo intolerante. Estou afirmando meu ponto de vista. Quando eu divulgo que sou ateu e as razões de considerar que as religiões representam retrocesso, não quer dizer que estou sendo intolerante.
Sobre a vinda do Papa Francisco, para mim, pouco importa, ele é papa dos católicos.
Agora, ele é também monarca absoluto, chefe de um Estado, o Vaticano. E tanto o Estado como a religião dele, combatem políticas que eu acho necessárias. Um exemplo: a política de combate à Aids, via distribuição de camisinhas. O Vaticano é contra e age politicamente e tenho o direito de criticar essas e outras posturas, tanto do catolicismo enquanto religião, como do Vaticano enquanto um Estado.
Resposta ao "Bule Voador" a uma tal de Raquel, apresentadora de Jornal no SBT, que é intolerante, parcial e age de má-fé com quem pensa diferente dela: (Em aspas, o pensamento da senhora Raquel, depois, as respostas):
1 – “Cristianismo é uma escolha pessoal e racional (…) onde até o batismo de crianças católicas precisa ser confirmado na idade da razão” O batismo de bebês é uma imposição, jamais uma escolha. Confirmar este voto na “idade da razão” soa vago demais. Qual é a idade da razão? Cerca de 10 anos, quando a criança talvez ainda nem saiba sobre a Teoria da Evolução? Não sabe sobre a pedofilia na Igreja (se é que sabe o que é sexo nesta idade!). Acho complicado falar em “idade da razão” para uma fase em que ainda, literalmente, se acredita em papai-noel. Além disso, vá falar sobre escolha pessoal para um monte de ex-cristãos que NÃO podem renunciar ao batismo porque a Igreja simplesmente se nega a fazê-lo.
2 – “Esses ateus pretendem alertar contra os males da fé…” Uma falácia, para não dizer uma estupidez. A principal cruzada no ateísmo no Brasil e no mundo é contra a interferência da religião nas coisas de domínio público. Ainda que pessoalmente eu possa considerar a fé um atraso, enquanto ela se limita à esfera privada, cada um faça o que bem entender.
3 – “Afrontando o papa e milhões de fiéis em plena Jornada Mundial da Juventude” E… e se… e se estivéssemos, qual o problema? Não pode criticar religião? Desde quando? Fazendo tudo de forma pacífica e dentro dos limites da lei, e daí se eu quiser afrontar o papa ou mesmo o conceito de deus cristão?
4 – “Esquecem eles, que a intolerância religiosa é inadmissível neste país que garante a liberdade de crença…” Só que não garante a liberdade da descrença! Quem está sendo intolerante quando se põe para fora da sala de aula um aluno da rede pública que não quis rezar o pai-nosso antes da aula?
5 – “Irônico é que sem ‘deus’, não haveria nem católicos, nem judeus, nem ateus…” Para fechar com chave de ouro, uma boa dose de arrogância e prepotência. Muitos religiosos não precisam estudar e entender a complexidade da vida e como ela se formou (até porque, nem os pesquisadores ainda entendem). Para eles, tudo está aqui por obra e graça de um deus. E claro, não é do deus dos maias, ou dos astecas, sumérios e nem egípcios: é do deles (quem quer que sejam “eles”).
Darlan Reis Jr. é Professor da URCA Universidade Regional do Cariri CE e Doutorando em história na UFC Universidade Federal do Ceará

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