Muitos escritores escreveram sobre a lenda de Fausto e do seu pacto com o Diabo. Essa lenda tem várias versões e pode ser interpretado de várias maneiras, mas há uma versão que conheci recentemente lendo o livro "O Melhor das Comédias da Vida Privada"- do Luís Fernando Veríssimo-onde ele descreve como seria uma negociação com o Diabo durante a venda de sua alma.Gostei tanto que resolvi descrever, eu também, como seria minha negociação. Eu começaria pedindo para não ser mais importunado com vizinhos que tenham mal gosto musical.
- O que? -diria o Diabo- Não é possível! Você vai vender sua alma e,em troca, me pede isso? Por que você não me pede algo mais útil? Peça, por exemplo, toda a Sabedoria do mundo.
- Pedir Sabedoria já virou clichê. Adão se entregou em busca disso e o rei Salomão pediu sabedoria a Deus - se eu quisesse sabedoria pediria a Ele- mas não quero sabedoria. Já que não terei paz pela eternidade, quero paz durante a vida. Você poderia imaginar uma vida mais tranquila do que vivida sem funk? Nietzsche disse que a vida seria um erro sem música. Talvez a vida fosse um erro sem música, mas seria um acerto sem funk.
- Você só pode ser louco! Como quer me vender a alma em troca de algo tão fútil?
- Fútil pra você que nunca teve a infeliz experiência de tentar ouvir Caetano Veloso, enquanto um vizinho idiota ouvia Mr. Catra. Não quero mais passar por isso.
- Está bem -suspira o Diabo- o que mais?
- Quero que, todos os dias, você venha me acordar e me lembre de que sou mortal.
- O que? -respondeu irritado- você, além de louco, é masoquista? Como pode querer que eu te lembre de que és mortal?
- O que? -diria o Diabo- Não é possível! Você vai vender sua alma e,em troca, me pede isso? Por que você não me pede algo mais útil? Peça, por exemplo, toda a Sabedoria do mundo.
- Pedir Sabedoria já virou clichê. Adão se entregou em busca disso e o rei Salomão pediu sabedoria a Deus - se eu quisesse sabedoria pediria a Ele- mas não quero sabedoria. Já que não terei paz pela eternidade, quero paz durante a vida. Você poderia imaginar uma vida mais tranquila do que vivida sem funk? Nietzsche disse que a vida seria um erro sem música. Talvez a vida fosse um erro sem música, mas seria um acerto sem funk.
- Você só pode ser louco! Como quer me vender a alma em troca de algo tão fútil?
- Fútil pra você que nunca teve a infeliz experiência de tentar ouvir Caetano Veloso, enquanto um vizinho idiota ouvia Mr. Catra. Não quero mais passar por isso.
- Está bem -suspira o Diabo- o que mais?
- Quero que, todos os dias, você venha me acordar e me lembre de que sou mortal.
- O que? -respondeu irritado- você, além de louco, é masoquista? Como pode querer que eu te lembre de que és mortal?
- Ora, se não terei felicidade na eternidade, quero tê-la durante a vida. Somos todos mortais, mas, não raro, nos esquecemos disso. Se você vier me lembrar todos os dias, eu nunca me esquecerei de que "a morte surda caminha ao meu lado e eu não sei em que esquina ela vai me beijar" e, desse modo, não serei capaz de permitir que a vida passe por mim vazia. Quantas pessoas são "beijadas" pela morte fria todos os dias sem terem vivido? Muitos deles tiveram, pelo menos, a possibilidade de sonhar com uma eternidade feliz, mas no meu caso... Não posso perder nem um minuto da minha existência.
O Diabo, a essa altura, não consegue nem falar, mas me manda prosseguir com um gesto desanimado.
- Não quero mais ser vítima de paixões não correspondidas. Se tenho que viver, que seja amando.
- Mas você pode me pedir para não se apaixonar mais e, desse modo, não sofrer.
- Você é louco? Espera que eu viva uma vida sem paixões? Deus me livre! Já te disse que quero uma vida completa. Te vendi minha alma, mas você só a terá quando eu morrer.
O Diabo parece estar a ponto de desistir. Ele deveria ter previsto que alguém que, durante o ritual, derrubou saliva ao invés de sangue no contrato, não seria um sujeito muito normal. Mas o contrato foi assinado e o ritual realizado.
- O que mais? - pergunta o Diabo, de olhos fechados.
- Deixe-me ver... Não quero mais encontrar com velhos em fila de banco.
- Você está vendendo sua alma. Tente se concentrar em pedidos importantes.
- Mais importante que isso? Eu NUNCA fui ao banco e tive o prazer de ser atendido sem que algum velho chegue exatamente na minha vez para entrar passar na minha frente. Não quero mais passar por isso.
O Diabo insiste na tentativa de dar um sentido mais metafísico à nossa conversa e um valor maior à sua compra.
- Tem certeza? Você está me vendendo sua alma. Não quer que eu lhe revele o segredo do universo e o sentido da vida?
- Tá doido? Você os tem e não é feliz.
- Não queres nenhum outro saber que os mortais não tem?
- Não.
Mas aí me lembrei de mais um.
- Não quero mais ser incomodado por Testemunhas de Jeová aos sábados. Já que vendi minha alma pra você,não quero mais ouvi-los tentar me convencer de vende-la para eles.
O Diabo desiste e diz: Não se fazem mais Faustos como antigamente.
O Diabo, a essa altura, não consegue nem falar, mas me manda prosseguir com um gesto desanimado.
- Não quero mais ser vítima de paixões não correspondidas. Se tenho que viver, que seja amando.
- Mas você pode me pedir para não se apaixonar mais e, desse modo, não sofrer.
- Você é louco? Espera que eu viva uma vida sem paixões? Deus me livre! Já te disse que quero uma vida completa. Te vendi minha alma, mas você só a terá quando eu morrer.
O Diabo parece estar a ponto de desistir. Ele deveria ter previsto que alguém que, durante o ritual, derrubou saliva ao invés de sangue no contrato, não seria um sujeito muito normal. Mas o contrato foi assinado e o ritual realizado.
- O que mais? - pergunta o Diabo, de olhos fechados.
- Deixe-me ver... Não quero mais encontrar com velhos em fila de banco.
- Você está vendendo sua alma. Tente se concentrar em pedidos importantes.
- Mais importante que isso? Eu NUNCA fui ao banco e tive o prazer de ser atendido sem que algum velho chegue exatamente na minha vez para entrar passar na minha frente. Não quero mais passar por isso.
O Diabo insiste na tentativa de dar um sentido mais metafísico à nossa conversa e um valor maior à sua compra.
- Tem certeza? Você está me vendendo sua alma. Não quer que eu lhe revele o segredo do universo e o sentido da vida?
- Tá doido? Você os tem e não é feliz.
- Não queres nenhum outro saber que os mortais não tem?
- Não.
Mas aí me lembrei de mais um.
- Não quero mais ser incomodado por Testemunhas de Jeová aos sábados. Já que vendi minha alma pra você,não quero mais ouvi-los tentar me convencer de vende-la para eles.
O Diabo desiste e diz: Não se fazem mais Faustos como antigamente.

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