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segunda-feira, 21 de julho de 2014

"holocausto palestino nazisraelense".

Foto criada por Gil Campos: http://on.fb.me/1wQNjoR

Peterson Leal Pacheco*

Li, em algumas postagens aqui no facebook e em duas crônicas de jornais (um brasileiro e outro norte-americano) sobre a inadequação de se usar a expressão Nazismo para resumir a violência de Israel contra os povos da Palestina.
Uma dessas postagens, feita por quem respeito demais me fez escrever uma pequena postagem. Daí que reproduzo aqui.
Nazismo é uma palavra. Em um certo contexto sócio-histórico esteve associada ao desprezo pelo "povo judeu". Bastou no entanto que a voz dos vencedores fosse um pouco mais problematizada que a abrangência semântica, e, também, ideológica da expressão ganhasse novos contornos. Nazismo passou a ser a expressão associada à cosmovisão de um agudo reacionarismo corporativista (Albert Hischman) que enfrentava não só o novo liberalismo (forma específica de resistência do capital às suas crises no primeiro quarto do século passado), como também, se prostrava contra a retórica socialista e comunista, e, as retóricas libertárias (ciganos e anarquistas, por exemplo).
Quer dizer, a noção de Nazismo como conceito que denota a exclusiva violência contra os judeus é talvez uma das formas nefastas de se empregar a expressão, assim mesmo cautelosamente advertem alguns.
Dito isso, mirando no que importa, o que Israel sempre fez (hoje não é diferente de ontem) foi organizar um tal estado corporativo que rechaça toda e qualquer retórica que transige em relação a autodeterminação do povo palestino. A vociferação israelense contra as retóricas transigentes (em relação a autodeterminação dos povos da Palestina) assume, claro, gradações. Sua expressão máxima, infelizmente, recai sobre os mais fracos; justamente os povos palestinos viventes no território ocupado por Israel.
É nesse sentido que me parece oportuno aproximar o corporativismo estatal inaugurado pela social-democracia alemã de Hitler e os conservadores e trabalhistas israelenses, de Netanyahu. Não se toma de forma absoluta a expressão, mas, "mutatis mutandis", cabe sim a construção: "holocausto palestino nazisraelense".

* Peterson Leal Pacheco, Sociólogo e professor universitário. 
Fonte: http://on.fb.me/1k8nr7O

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