Paz sem voz é Medo
Eu acredito que participar das eleições é um fato consolidado do nosso processo político, um direito conquistado e uma obrigação de cidadania, no entanto, participar do processo político não significa aceitar esse vale tudo eleitoral. Pelo menos para quem se identifica como sendo de esquerda. Na disputa pelo poder precisamos ter forças políticas que tenham um programa, uma proposta democrática e no meu caso, socialista, além de que tenham de atuar de forma limpa e honesta. Precisamos educar o povo, e não se educa o povo falando uma coisa e na hora que se ocupa cargos de governança pratica-se o mesmo esquema de mazelas, desmandos e corrupção da direita.
Em Volta Redonda os partidos de esquerda que estão nesse governo se perderam, porque dizem que são partidos dos trabalhadores, ai incluo o PT e o PCdoB, mas fazem da função de assessor, vereador e de secretário uma carreira? Virou profissão. . . Eu sou contra isso. Os caras ficam em gabinetes, esquecem de onde vieram, apoiam governos déspotas, defendem uma administração em estado avançado de deterioração ética e moral e depois vem com essa lorota da lógica eleitoral. Esse pragmatismo em Volta Redonda é assustador.
Não dá para fingir que desconhece os rateios da secretaria de cultura, ou que não sabe que a Verdurama não paga os funcionários em dia, que não deposita o seu FGTS e que a merenda servida é fora do aceitável. Não da para tapar o nariz e fingir que não sente o cheiro putrefato da Locanty/Multiambiental. Não é possível concordar com uma passagem de ônibus superfaturada. Superfaturamento de remédios e ignorar a farta denuncia de má gestão da coisa pública. Os indícios de improbidade administrativas são gritantes.
Há uma visão torpe do processo político, ou pior, há um comprometimento das direções desses partidos, que há muito tempo preferiram o conforto dos gabinetes com ar condicionado e cafezinho, a enfrentar a luta do povo, degeneraram. São coniventes com desvio de dinheiro público, rateio entre amigos, precarização dos serviços públicos.
A cidade está estagnada, não se desenvolve há muito tempo, não tem um bom setor de serviços, empregos, lazer. Paga mal aos trabalhadores, censura os opositores e monopoliza os investimentos, tudo prospera para quem é da panelinha. Não cumpre a Lei do Piso dos professores e nem o plano de carreira dos servidores. A cidade não tem nenhuma rede nacional de rádios, não sedia nenhum canal de TV e é o único município do Estado do Rio de Janeiro com mais de 200 mil eleitores que não tem propaganda eleitoral gratuita na TV.
O que é isso companheiro?
A minha indignação é fruto desse contexto. É desse caldo que surge a minha posição nesse processo eleitoral. Eu tenho um compromisso social histórico para com essa cidade e não posso ficar ausente desse debate. Nosso papel enquanto cidadão é questionar, é participar, sem medo, “porque silencio não é paz é medo”.
Eu ainda acredito na construção do partido do proletariado que tem como prioridade cuidar das pessoas, organizar a luta nos sindicatos, organizar-se nas comunidades, ganhar na universidade os cientistas, pesquisadores, a intelectualidade para a causa do povo, e para as eleições, disputar para vencer, mas sem fazer acordos que coloquem em xeque princípios pétreos de qualquer socialista.
O momento é de mudança, de construir uma nova realidade, com mais democracia, liberdade e respeito. Por isso, no primeiro turno, o meu voto é Dodora 50.

É isso aí, meu camarada. Quem se perdeu no meio do caminho foram aqueles que se venderam por muito pouco...
ResponderExcluirSim sim, eu pensei muito sobre sua argumentação outro dia, e foi sobre nossa conversa que surgiu essa declaração de voto. Podemos ser socialistas e disputar, participar do processo político, mas sem acordos com quebra de princípios. Alianças pontuais sim, mas sem negociar valores.
ResponderExcluirCamarada, muito nos honra sua posição. Dodora já está cansada de ouvir que nada contra a corrente. Nadaremos sim, quando necessário com apoios que fortaleçam a luta dos trabalhadores. A decisão(mais fácil) de ir sempre a favor da correnteza é irresistível para alguns, que já foram da esquerda. Mas se esquecem que ao final do rio vem a cachoeira (sem trocadilhos...rsrs), ou o mar. Sem dinheiro, mas ousando acreditar manter a coerência nesta cidade tão solapada dos 90 pra cá, vamos com a Dodora. Abração!
ResponderExcluir